19/10/2010

Objeto Inocente

Uma vez abri os olhos pra verdade
E vi que estavam me fazendo de otário
Algo que desconhecia
Havia me deixado um cego incosciente
Me fez fingir até surdez
Num golpe certeiro fui fisgado
Pela vadia e seu amor juvenil
Aquela que consegue tudo o que quer
Com palavras mágicas, seu jeito doce e riso agradável
Mas sobre o diabo eu já sabia
E, por sua vez, me entreguei por inteiro
Ganhei o amor, tesão pela vida e algemas
Descartei a importância dos olhos,
ouvidos e amigos
Mas o feliz sou eu e estou satisfeito
Com minha boca e os atributos do diabo

08/10/2010

O da Terra

Vai pro batente bem cedo
Todo dia pela manhã
Com seu arroz-e-feijão debaixo do braço
Sai do trabalho e vai direto pro boteco
Onde encontra amigos, cerveja e assunto
O que não falta
Se fala de futebol, política, eleições e Brasil
Chega em casa, beija os filhos e a esposa
Janta e adormece
No dia seguinte, de uma hora pra outra
Tem seu rosto estampado em noticiários e jornais
Vítima de bala perdida
Pela própria polícia
De quem era fã

03/10/2010

Sr. Filho da Puta

O destino vem, volta
Faz, espera
Demora
Trabalha
Faz, engana
Mente, diz
Faz cabeça de despreparado
De desesperado
Faz
O destino acontece

02/10/2010

Vitória Impossível

Me diz o que é a saudade?
Me deixa voltar?
Me deixa te abraçar?
Me deixa aproveitar?

Posso chorar?
Posso ficar?
Posso esquecer?
Posso te amar?
Posso te ter?

Nem que seja por um minuto
Nem que seja pela vida inteira
De uma certa maneira

Ok, acordei.

01/10/2010

Bate-Volta

Me choca
Me nota
Me amassa
Me amarrota
Me engrossa
Se embola
Me assopra
Me entorta
Me deixa
Me veja
Me abraça
Me beija agora
É a hora, vambora

30/09/2010

Telefonema Sozinho, Maço Terraço

Ouvindo a trilha de nossa despedida
Lembro de ter ficado remoendo o passado
E agora me pego remoendo o presente
Tentando decifrar o que vai dar
Se você não demonstra interesse por isso
Não há motivos pra deixar estar

Até parece que voltei as páginas daquela velha história
Uma situação que se inverte
E me deixa à beira de pensamentos novamente
Esses, bem mais responsáveis e delicados
Enquanto me cobram atitudes irresponsáveis e indelicadas

Tudo está sob 20 minutos
Que possivelmente se multiplicarão
Em lágrimas sensíveis ao ver a porta aberta
De alguém que saiu com medo e desejo de ficar
A mesma porta do recinto em que estive só
Ensaiando e costurando um véu chamado paciência

Foi imposta a temporada de visitas
Visitas que cutucaram a morta sensação de tentação
O que me fez pensar se isso é mesmo um relacionamento
Ou uma prisão causada por mim mesmo

Uma prisão rigorosa que não dá trégua
Onde se pode o tudo ou o nada
Podendo tudo sem pensar nos atos
Que depois se tornam fatos em uma morta discussão
E não podendo nada, à espera, engolindo o seco e o vazio

Eu só preciso de tempo em todas as direções
Para assim, sucessivamente, seguir errando e me arrependendo

24/09/2010

Pancadaria

Maluco correndo de um lado pro outro
Brisa quente rolando no ambiente
Um se prepara pra pegar desapercebido
E fica assim despercebido
Sangue quente de quem tem sangue de barata
Ressurreição de um corpo morto em estresse
Membros tremendo feito em frio
Raiva convertida em palavra
O surpreendente surpreende olhos arregalados
Só resta recuar
Se tem a certeza de que a surpresa está porvir