12/09/2010

A Viagem

Escrever no escuro é o canal
Ofuscado pela muro que te torna banal
É tão legal e surreal
E não tem como não falar de amor
Esperando o telefone pra ver se o dia furou
Ouvindo o cidadão expressar sua índole e ideologia
No pôr fresco do sol do velho dia
E os instigados recebendo o convite do raiar do novo
E com o surpreendente e inesperado vou guiando
Guiando e guiando, a caneta das ideias

01/09/2010

Condizente

Se eu não sei gostar de alguém
Por que a insistência te convém?
Seu ciúme insano me enraivece
Mas tá tudo bem
Criei uma infinita paciência aos seus defeitos
Que não se esgota desse jeito
Mas julgar é pecado, e quem sou eu, não é?
Defeitos, também tenho
E você tem o que reclamar
E escrevendo isso agora
No ritmo da maré, sinto a intensidade do seu amor
Sentimento incabivel por mim no peito
Não tem mesmo jeito
Vou torcer pra que minha paciência desperte renovada

29/08/2010

O Contexto da Maciota

Acorda pra ver o sol
Dorme pra sonhar com a lua
Viajando com a magrelinha
Desejando a Terra toda nua
Respiro o ar impuro
E discuto com a vida sobre o que é puro
Porque tenho a liberdade em mãos pra sair de cima do muro
Abro a janela pra sentir o vento às pálpebras correr
Ao som do "Partido Alto" me sinto um neotropicalista sem medo de viver
Ou até morrer
Escrevendo sem sentido, com essência
Puro dadaísmo

28/08/2010

Conflito de Intereços

Já parou pra ver a vida do avesso?
Perdi até o grande apreço
Já vi que nem mereço
Porque pra tudo tem um preço
E se tiver que crescer, escrevo e cresço
E pra não ter que falar de preço
Eu desviro tudo do avesso
E continuo ileso

27/08/2010

O Vago Em Chamas

Entre o céu e o inferno existe um lugar
Onde se tem o paraíso e o indesejado fim do mundo
Nem sempre o paraíso
Se intimidando com o trauma de viver, levando a vida assim
E a teoria da morte súbita (imaginária?), inadiável
Condenado e engolido pelo sistema
E a chama viva que se acende se chama problema
Que te queima sem pedir permissão

24/08/2010

Caixa de Fósforo de Papel

O vento que sopra antes da chuva é você, meu amor
A calada da madrugada é a mão de Deus
Que faz pensar e agir
E quando o sono bate, é de você que lembro
Reanimando o consciente com sonho esquematizado
Aquele sonho ambicioso, só eu e você
Na cama, querendo mais
Doze horas e um pouco mais
Na calada da madrugada, deixando o vento soprar sem malícia
Nessa serena e doce melodia
Se apronta que quero um banho de chuva
Se arrisca, vamos cantar aquele refrão
Pra espantar tristeza
Porque é felicidade que eu quero agora
Levanta esse cabeça pra sorrir pros pingos fortes
E na balada desses pingos fortes eu acordo
Olho pro lado e sinto seu cheiro
Minhas roupas molhadas
E a sensação de felicidade instantânea passada
Te ligo e você passa pro silêncio
E na calada eu fico tenso
Torcendo pra mais vento, calada e sono
Tudo de novo sem cansar, ritmo intenso

20/08/2010

Duplo Egoísmo

Em todo esse tempo
Em meio a invejas e divergências
Algo foi depositado e selado
Selado com o primeiro abraço
Ao suceder de uma batalha infantil

Fizemos arte pra esquecer da vida
Com cabeças incríveis e pensantes
Arte que hoje nem serve de mais nada
É puro trabalho, fachada

Essa cavalaria foi e veio várias vezes
Já era história, mas a previsão de volta era vã
Mudei pra impressionar e veja só o que foi causado
Depois de tudo, olhe pra trás
É besteira, mas se tornou desgastante e exaustivo

Agora são dois corpos criando anticorpos
Implorando copos entupidos de cerveja
Pra esquecer e não se arrepender

Mas o pôr-do-sol uma hora vem
E pra esquecer esse mar de problemas, só regredindo pra ver
Vamos sair, beber, repetir o vergonhoso e indesejado fato
Mas que fez bem pra cada copo da sarjeta